Fiz trinta anos. E agora? Para onde foi aquela garota para quem o mundo se abria com inúmeras possibilidades? Morreu? Não, ela apenas amadureceu e se deu conta do poder e da responsabilidade de suas escolhas. Quando você acha que tem todo o tempo do mundo, pode acabar não se preocupando em fazer algo da sua vida. Então, chega uma época em que percebe que o tempo passa rápido demais, e que talvez não haja tempo de realizar tudo o que deseja.  Você sente que deve se focar mais naquilo que é importante e passa a trabalhar com mais afinco para realizar seus sonhos. O medo passa a ser visto como um desafio a ser vencido e não como um empecilho que não pode ser derrotado.  Falhar também não é mais tão assustador, porque sabe que pode recomeçar a qualquer momento e não se permite ficar remoendo o que não deu certo. Pior é não fazer nada e ver a vida passar sem ser vivida.

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A beleza é contemplada de uma forma diferente. Os sinais da idade começam a aparecer na pele ao redor dos olhos, cabelos brancos despontam imponentes entre os outros, e engordar parece fácil ou até mesmo inevitável. Seu corpo se cansa com mais rapidez, mas a mente está sempre ativa. Você sente que precisa ser você mesma e se preocupa cada vez menos com o que as outras pessoas pensam. O mundo se torna pequeno para o espírito da mulher que já viveu o suficiente para compreender o significado da palavra sabedoria.

Fazer trinta anos assusta porque o desconhecido assusta. Não sei se estou preparada para a mulher que encontrei hoje, tão parecida e ao mesmo tempo diferente da garota de vinte. Mas não quero apagar os anos que nos separam, porque ela faz parte de quem eu fui. Os anos entre nós foram importantes demais para serem apagados. Quero minhas memórias, minhas dores, lágrimas e sorrisos de cada dia que vivi, e quero a oportunidade das escolhas que me levarão a uma mulher ainda mais completa aos cinquenta, sessenta, ou até noventa, se conseguir chegar lá. Um dia meu coração vai parar de bater, e que seja depois de eu ter amado muito, sorrido muito e vivido muito. Até lá me descobrirei a cada dia e viverei com responsabilidade a vida que escolhi, com as pessoas que amo. Planejarei e replanejarei o futuro quantas vezes precisar, mas não viverei lá, esperando pelo que ainda não aconteceu. Viverei o agora, os trinta, trinta e um e trinta e muitos. Cada vez mais distante daquela garota jovem e despreocupada que tinha o mundo aos seus pés. Cada vez mais próxima de mim mesma.

 Cristiane Broca

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