Aconteceu o que acontece nas velhas estórias de amor, ou melhor… paixão. Impossível não observar através dos olhos dela aquele encantamento salutar que a paixão estava lhe proporcionando. Também pudera: há muito ela estava sozinha, e uma paixão novinha em folha lhe caiu muito bem! A paixão foi uma lente que conferiu a Clara um novo olhar sobre a realidade: ela cessou o daltonismo emocional que há muito assombrava a menina.

E como não apenas nos roteiros Shakespearianos, Clara começou a experienciar as respostas que muitas pessoas buscam nos divãs dos psicólogos: amor, solidão, tédio, insatisfação: parecia tudo estar resolvido como num passe de mágica. Ah… paixão sorrateira! Essa avalanche hormonal que descompassa corações, respirações e entra como fogo consumindo tudo aquilo que não faz parte do cenário. Sim: a paixão é desaforada! Não aceita afronta, nem volta pra casa com menos daquilo que lhe apraz. Paixão é roupa pela casa, é mala desarrumada, é aquele olhar que você não explica…  mas parece pertencer ao seu mundo. Paixão é pele, é toque, é uma química inexplicável que pode causar abstinência…e causou.

Quando os corações se desconectam a comunicação não flui…. a pessoa fala alho e você fala bugalho. Bizarrices para um casal que há pouco se entendia pelo olhar. Corações desconectados, muros construídos. A paixão é a ponte que conecta as pessoas e assustadoramente essa ponte foi destruída por uma série de fatores. E aí? Onde está a paixão? Ela tentou por diversas vezes atravessar o muro: mas a cada dia que passava a abstinência gerou mais conflitos entre Clara e o rapaz. E aquilo que parecia ser uma promessa de altar virou um assunto de bar.

Quanto mais eles tentavam se aproximar, mais conflitos aconteciam… não pelo fato de ter morrido a paixão! É que o muro precisava ser destruído para que a paixão ocupasse seu devido lugar. O muro do orgulho, da intolerância, da indiferença. É tão mais fácil destruirmos do lado de fora do que nos reprogramarmos emocionalmente! É tão mais fácil negarmos nossas misérias emocionais e não crescermos como pessoa do que encararmos nossas debilidades e pedirmos perdão! É tão mais fácil “conectarmos” um novo alguém através de um simples touch, do que construir para desconstruir quantas vezes forem necessárias… Para todas coisas existe o seu Mastercard: menos para um amor de verdade.

 

 

Comments

comments

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here